Aumento médio da conta de energia pode passar dos 25%
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Aumento médio da conta de energia pode passar dos 25%

Agência reguladora reconhece que índice é alto e que é preciso melhorar o sistema tarifário

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) propôs nesta terça-feira (6) um reajuste médio de 25,87% nas tarifas da Cemig-D. Para consumidores conectados à alta tensão, como as indústrias, o aumento seria de 34,41%. Para a baixa tensão (residências e comércio em geral), a alta seria de 22,73%. O percentual assustou os consumidores. Nas ruas, muitos argumentaram que os reajustes dos salários não chegam nem perto deste patamar.

   Para a cuidadora de idosos Daniele Silva, o gasto com energia é o que mais pesa no orçamento doméstico. “Na minha casa, são quatro pessoas. A conta de luz fica em torno de R$ 350”, diz. Para ela, aumento na tarifa de eletricidade é pior que quando a comida encarece. “Se um alimento fica mais caro, a gente procura uma alternativa, troca por outro. Já a economia com energia tem um limite. Além disso, o meu salário não acompanha. Esse percentual é muito alto”, frisa.

     A proposta diz respeito ao quarto ciclo de revisão tarifária da Cemig, processo que é feito de quatro em quatro anos com o objetivo de manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão. Todos os itens que compõem a tarifa aumentaram.

     Composição. Na proposta, relatada pelo diretor Tiago de Barros Correia, os encargos setoriais, que bancam subsídios do setor elétrico, tiveram peso de 4 pontos percentuais. O custo de compra da energia teve impacto de 2,71 pontos percentuais. O custo de transmissão teve impacto de 1,38 ponto porcentual. E o custo de distribuição, representado pela parcela B, teve peso de 4,60 pontos porcentuais. Para este caso, a Aneel usou o custo médio ponderado de capital (WACC) vigente, de 8,09%. Juntos, esses itens explicam 12,69 pontos percentuais.

    A outra metade do aumento proposto diz respeito a componentes financeiros, que, embora elevados, têm efeito de um ano. O diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, reconheceu que o índice proposto é alto. “Isso reforça a nossa encomenda para melhorar o processo tarifário, para evitar, na medida do possível, essa volatilidade no comportamento da tarifa”, afirma.

     Ele lembrou que, no ano passado, o reajuste da Cemig resultou numa pequena redução tarifária, justamente em razão de efeitos financeiros. “Então, se conseguirmos colocar algo mais próximo do real na parcela A, conseguiremos mais estabilidade na tarifa, que é o desejado”, diz.

    A proposta ficará aberta em audiência pública de 7 de março até 21 de abril, com reunião presencial em Belo Horizonte no dia 28 de março.

     A Cemig Distribuição atende a 8,2 milhões de unidades consumidoras em 774 municípios de Minas Gerais. No último mês, a tarifa de energia elétrica residencial em Belo Horizonte teve queda de 1,81%, conforme a Fundação Ipead, contribuindo para a deflação do mês (-0,44%). (Com agências)

 

     “Tarifas estão atingindo níveis preocupantes”

     (Brasília-DF). O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que as tarifas de energia estão atingindo níveis preocupantes. Rufino fez o comentário durante as discussões para definir a nova taxa mínima de retorno (WACC, na sigla em inglês) do setor de distribuição. Ao longo do processo, representantes de consumidores reclamaram do peso da conta de luz no orçamento das famílias.

      “Isso de fato nos incomoda também, e acho que a todos, às distribuidoras, aos consumidores, ao regulador, porque o valor da tarifa está assumindo um patamar muito preocupante. Isso impacta toda a indústria. A gente precisa discutir isso de maneira mais efetiva”, afirmou.

      Rufino destacou que o esforço que as empresas do setor fazem para melhorar os níveis de eficiência e de prestação do serviço, que poderia reduzir as tarifas, tem sido “neutralizado” pelo aumento dos subsídios, pagos por meio de encargos setoriais embutidos na conta de luz. Para 2018, os subsídios na conta de luz custarão R$ 18,843 bilhões e devem aumentar a tarifa em 2,14%.

   Geladeira parada

“Meu maior gasto hoje é com remédios, não tem como cortar. Só que a energia pesa muito também, são R$ 250 por mês. É mais caro que os gastos com alimentação. Para tentar economizar, eu só ligo a geladeira à noite. Não tem como meu salário acompanhar 25% de aumento.” (Aparecida Conceição Ferreira (Cozinheira)

E o salário?

“Não dá para viver sem energia. E ninguém tem reajuste de salário de 25%, ainda mais aposentado. A minha renda caiu muito quando me aposentei. No meu caso a energia não pesa tanto, mas com aumento de pouco mais de 25%, vai pesar mais. Hoje, a maior parte dos meus gastos é com remédios.”Angel Ramos  (Aposentado)

Juliana Gontijo / O Tempo 

 

 

 
 
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